segunda-feira, 21 de março de 2016

A festa com sua cara de festa, como todas as outras.

Já faziam duas semanas desde a última vez que você veio me ver. Foi então que resolvi ir a uma festa do tipo que você vai, eu sabia que estaria lá.
Sei que eu podia ter evitado e ido em outra festa, mas também te encontraria, todas as festa tem sua cara, todas as pessoas tem um pouco de você, o braço forte, a pele branca, a boca delineada, o cabelo liso, o fígado estragado, coração vazio, o mistério no olhar.
Ao te ver parado em frente a festa, não senti nada, fiquei feliz por não sentir meu coração acelerado como da última vez, sinal que eu não  precisava mais sentir aqueles beijos, cheirinhos, e mordidinhas, é, mais ao lembrar de tudo isso senti o coração pulsar tanto que parecia que ia sair pela boca, e senti tanta necessidade de você novamente. 
Você estava lindo, sua blusa cinza, seu sorriso grande, fique de costas só para evitar te olhar. Acendi um cigarro pra tentar me distrair, apesar de não fumar, não tinha nada melhor para fazer, até tinha mas para isso eu precisava te roubar. Quando o cigarro acabou entrei na festa, tequila, caipirinha, saquerinha,  qualquer bebida que me fizesse perde a memória e tirar você dos pensamentos, mais algumas doses para desapegar, e esquecer o que passou e o que podia acontecer. Você passou e a única coisa que houve entre  a gente naquela noite foi seu sorriso para mim, e seu apertão na minha costa, te apertei a barriga, e você saiu. Não houve mais nenhum contato. Entranho. Por que foi tão bom quando nos conhecemos e ficamos, mas não foi bom o suficiente para ficarmos juntos. Chega. Eu te queria, eu apostei que não te procuraria, não resisti e mandei mensagem. Você disse que estava de boa. Depois de acender outro cigarro, e beber mais doses, voltei pra festa e dei de cara com você bem de boa beijando outra. Raiva, ódio, vontade de socar a sua cara. Fui pro banheiro chorar, chorar sem lágrimas, vontade mesmo era de gritar de ódio, te bater tanto e acabar na cama com você. Fui me perder com outro, na ilusão que ia te esquecer, pelo menos naquela noite, naquela festa eu não queria mais saber de nada, pouco me importava o que eu estava fazendo. A cerveja descia tão rápido, um gole atrás do outro, para tentar esquecer o que eu vi. 
Não me contia em não ter você, e te liguei. Onde você está? Como assim? Nessa festa? A festa que eu ia. Fique com mais ódio, mais não podia fazer nada. Ogro, grosso, metido, chato, chato, chato. Você só ficou uns dias comigo, você me mandava mensagens todos os dias, e foi sumindo, como se não tivesse me conhecido, foi se tornando um desconhecido. O que restou para aquela noite foi eu ir embora para algum lugar que eu nem
conhecia. Só me vinha nos pensamentos aquela cena de você beijando outra. E dói aqui, nem sei porque dói. Tem um nó na garganta que faz querer  eu te ter nem que seja de longe, nem que seja só pra ficar te olhando e imaginando como seria bom ter você por perto, querer você é tanto que aceito migalhas que é melhor do que nada, mas nem migalhas eu tenho.

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